9. Sansepolcro - Città di Castello Km 29 Città di Castello

9. Sansepolcro - Città di Castello Km 29  Città di Castello 


Deixamos o Eremo de Montecasele , com a sensação que teríamos um dia fácil, pois já tínhamos pulado os 6,5 km de subida e segundo o hospitaleiro, era muito tranquilo o caminho. Depois de uma noite bem dormida então, seria uma maravilha caminhar pelo bosque que se abria a nossa frente. Saímos praticamente juntos com o nosso grupo primitivo, as duas italianas, o casal milanês e o pianista de Roma, aquela turma toda que encontramos no albergue no dia anterior parecia que havia desparecido, pois muitos faziam o Caminho de São Francisco e outros a Via do Tau. Logo, os mais  jovens  do nosso grupo logo passaram a nossa frente e ficamos nós e as romanas.
 O caminho no meio do mato era bonito e de longe abaixo da montanha podia se ver a cidade de Sansepulcro. Passamos por algumas ruínas de casas antigas, nos atrapalhamos várias vezes, pois não havia sinalização, mas agora já trocávamos ideia com as romanas, sobre como entender o misterioso guia.E finalmente chegamos na estrada asfaltada. 
Segundo o mapa, logo encontraríamos o Refúgio Somaia, eu como gosto de comer, pensava em fazer uma boa refeição quando chegassemos ao refúgio e descansar para continuar o restante da caminhada, mas para minha total decepção, chegando ao refúgio a proprietária  disse que não poderia atender...somente faria almoço para os hóspedes. Logo chegamos na cidadezinha de Celalba, não encontramos restaurante , compramos um lanche no supermercado e como fazia um calor do cão, pois era em torno de uma hora da tarde do mês de agosto, saímos a procura de uma sombra e a única que encontramos foi na porta de uma casa que estava em obras na frente do supermercado. Comemos conversando com o pedreiro da obra, que tinha grande interesse pelo Brasil.
 Retomamos o caminho, nos perdemos logo na saída mas foram poucos metros e encontramos novamente as romanas, que haviam recebido uma mensagem no telefone dos milaneses que havia um cachorro solto e muito bravo...o que bastou, para que cada vez que ouvíssemos um latido ficássemos apreensivos, mas felizmente não encontramos nenhum cão.
Caminhamos no meio de belas  propriedades rurais, com plantações de fumo e girassol. Encontramos poucas pessoas e as casas pareciam que estavam sempre fechadas...passamos por Lama outro pequeno povoado onde havia duas sinalizações, ou seja, dois caminhos. Optamos pelo que parecia ser o mais curto, e pela sugestão das romanas, mas a sensação era que estávamos voltando...saímos do povoado por uma estrada asfaltada, depois pegamos um caminho totalmente despovoado, passamos por uma usina  abandonada, eu e meu marido estávamos de bermuda e havia muita urtiga no meio do mato, a trilha tinha a grama alta, acredito que muita gente desvia essa parte...eu comecei a me sentir como um soldado que começava a perder a batalha. O cansaço , a trilha que parecia não ter fim, foi minando o meu bom humor.
Saímos novamente na estradinha asfaltada e seguimos sempre reto, até que apareceu uma seta verde, indicando uma estradinha de chão...eu queria continuar reto, queria chegar o mais rápido possível, mas optamos por seguir a seta, a estradinha levava a umas casas velhas que contornamos e voltamos a cair na estrada asfaltada...fizemos uma meia lua. A sensação era que estávamos chegando em Città di Castelo, mas demoramos muito até chegar a Croce Bianca, uma versão italiana da Cruz Vermelha e onde o peregrino pode se hospedar,só que fica alguns quilômetros da cidade e não tem nada para comprar, nem onde comer. E tínhamos recebido uma mensagem de Paola que  ela tinha reservado uma vaga para nós no refúgio no centro.
Em função do cansaço eu queria mesmo era parar...o pessoal da Croce Bianca foi muito legal, como não havia ninguém hospedado lá, nos ofereceram carona até o centro da cidade. A moça que nos levou, era bastante jovem e muito simpática. Antes de chegar no refúgio fez um tur pela cidade, mostrando o pontos turísticos e nos contando um pouco da história do lugar. Agradecemos muito a gentileza e ela só nos deixou , quando entramos no refúgio.
O refúgio fica quase no centro da cidade, em uma ruazinha estreita, quando chegamos havia poucos peregrinos, a nossa turma do inicio e mais quatro meninas, as camas eram limpas, havia 14 lugares e um banheiro... tomamos banho, e como bom peregrino sempre procurando deixar tudo em ordem.Logo, chegaram o restante dos peregrinos que ficariam no albergue, em pouco tempo o banheiro estava imundo. Saímos para jantar com as romanas e passear no centro da cidade que é muito linda. Os jovens saíram para se divertir. O albergue era abafado, e meu estado de animo foi minado totalmente. Dormi bem, pois o cansaço era imenso, quando acordamos a maioria tinha partido e deixado o albergue um verdadeiro caos (e eram todos europeus) até o relógio de parede encontramos no meio da rua.
As romanas nos falaram que não aguentavam mais, que pegariam um ônibus até Gubbio, pulando a 10 e 11 etapas, meu marido relutou, mas eu achei a ideia maravilhosa, eu não sentia vontade nenhuma de caminhar. Hoje avaliando melhor , acho que poderíamos ter feito tranquilamente todo o trajeto. 


A rua do refúgio


Luigina e eu.
    






ainda havia lugar sobrando




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